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24/01/16

Quando a cabeça quer, os pés acompanham


Não digo que tenha havido falta de empenho nos últimos dois jogos, a equipa até fez mais que suficiente para garantir duas vitórias. Diria que faltou um maior sentido de urgência, uma vontade de esmagar o adversário desde o primeiro minuto, tal como tinha acontecido nos três jogos anteriores.

Desde o primeiro minuto apareceu o Sporting dominador e que tem merecido a liderança do campeonato. O Sporting que, ao contrário das várias versões de Jesus no Benfica, quer atacar com rapidez, mas que a sabe refrear, retirando a bola do jogo em certos momentos.

Rui Patrício fez 0 defesas no jogo. Nunca o Paços foi capaz de ter bola ou de sequer fazer transições rápidas. O grande responsável por isto? William. Quando está bem é um porto seguro neste tipo de jogos. Contra uma equipa do Paços recuada e muito junta, William foi essencial a servir de pêndulo mais atrás, contando com Adrien para a pressão imediata após as perdas de bola. Foi graças a estes dois que os períodos em que a bola não passava do meio-campo do Paços se avolumaram e foram a nota dominante do jogo, particularmente na segunda parte.

A boa exibição da parelha do meio, soltou o artista na frente. Que jogo de João Mário! Mais um a juntar a uma grande época. Pelo meio, pela direita, pela esquerda, enche o campo de classe, decisões certas e de lances que aproximam a equipa do golo. É com alguma distância o melhor jogador português da Liga neste momento.  Mesmo com os golos de Slimani, foi o melhor em campo. A qualidade estava lá e Jesus está a fazer com que ela se mostre em todos os jogos.

Palavra também para Slimani, mais do que os golos notei muito o trabalho individual que Jesus falou em algumas entrevistas. Com a maior proximidade entre todos os jogadores, as decisões têm sido mais fáceis e Slimani tem decidido melhor, parecendo até mais inteligente a jogar. Ao nível técnico a diferença é ainda mais notória. Comparar o Argelino que aterrou em Lisboa em Agosto de 2013 e o actual ponta de lança do Sporting não faz sentido. A sua evolução a jogar, e até nos números, tem sido assombrosa e torna o Sporting uma equipa mais perigosa em qualquer jogo.

A única coisa negativa de ontem foi o golo sofrido. Pela forma como foi concedido, até por não termos permitido qualquer oportunidade de golo ao adversário, é daqueles que custa a sofrer.




07/01/16

Obcecados em jogar bem



Será fácil dizer que este foi o melhor jogo da época até ao momento, até pelo resultado. Diria antes que foi o jogo em que o domínio do Sporting foi mais acentuado em 90 minutos.

O Setúbal é uma equipa razoável do nosso campeonato e que raramente joga para defender o pontinho. Isso ajuda uma equipa como o Sporting, ainda para mais reforçada naquilo que mais lhe faltava.

Mais do que a (enorme) presença na folha estatistica, Bruno César traz à equipa coisas que faltavam desde a saída de Carrillo (e até Nani). Não terá a velocidade e explosão do Peruano, mas acrescenta a criatividade e qualidade que faltava no último terço. Permite ainda que o melhor jogador da equipa, a nível ofensivo, jogue na zona onde é mais perigoso. Com Ruiz ao meio, João Mário e Bruno César aos lados, a "orquestra" tem 3 maestros que vão alternando a batuta.

Não foi por acaso que Bruno César foi titular ontem, assim como não era por acaso que tinha ido para Alvalade em Novembro. Durante mês e meio esteve a aprender todos os movimentos da equipa, a perceber como interagir com os colegas em campo e a treinar muito dentro das ideias de Jesus. Isso faz toda a diferença.

O resultado acaba por ser normal tendo em conta o desenrolar do jogo. A pressão do Sporting era de tal maneira sufocante que durante largos minutos o Vitória não conseguia sequer chegar ao meio-campo. Mérito de João Mário, Adrien e William que fizeram dos médios adversários o que quiseram. O último voltou a ser aquele polvo que nos habituou e que muitos têm menosprezado em vários jogos esta época.

Jogo fácil por mérito próprio e com momentos brilhantes a nível colectivo (jogada do 3-0) e exibições individuais excelentes de quase todos, particularmente dos 3 maestros que apoiam Slimani.

No domingo será mais dificil, mas tão ou mais importante que os últimos dois jogos. Nesta jornada a vantagem alargou e com 4 jogos caseiros em 5 possíveis a possibilidade de a manter e alargar é bem real, assim a equipa jogue o que sabe.

As parvoíces
Quando os treinadores não falam de bola, do seu trabalho mesmo, não poucas vezes dá asneira. Estas parvoíces acontecem hoje, aconteceram no passado e infelizmente vão continuar a acontecer. Hoje Jesus diz m*rda no Sporting, tal como havia feito no Benfica, Braga, Belenenses, entre outros.
Curiosamente, só hoje é que é um cretino e um idiota para alguns. Parecem enguias.
E nisto de dizer parvoíces e mandar uns bitaites nenhum está a salvo.

19/10/15

João Mário na ala : pontual ou para continuar?


Uma pessoa inteligente pode desempenhar várias funções.
Um jogador inteligente pode fazer o mesmo em campo.

João Mário poderá jogador quase onde quiser e onde os treinadores quiserem. É inteligente para isso. Obviamente que terá características que fazem pensar "é melhor aqui ou ali" mas a principal que tem é a inteligência e isso permite-lhe jogar fora dos sitios "normais".

Com Jesus, João Mário já foi nº8, médio esquerdo, segundo-avançado e médio direito.

Ora sabendo que para médio esquerdo há Ruiz e Mané, para nº8 Adrien e Aquilani e que Montero e Téo são os companheiros preferenciais de Slimani, percebe-se a aposta de Jesus. No fundo mata dois coelhos com uma cajadada. Colmata a ausência de Carrillo com um jogador "mais batido" e não desperdiça um enorme jogador como João Mário.

Para mim seria sempre nº8. É onde é melhor e é o melhor nº8 que temos. Mas Jesus valoriza outras coisas em Adrien e em Aquilani.

Analisando bem o modelo de Jesus, nem é descabido ter jogadores mais "centrais" nas alas. Já estamos carecas de saber que no início do ataque as equipas de Jesus constroem com os alas no meio, abrindo os laterais no corredor. Daí a adaptação de Gaitan a uma ala, de Markovic e, já no Sporting, de Bryan Ruiz. Todos eles eram jogadores de corredor central nos seus anteriores clubes e nas selecções.

João Mário será capaz de dar algo que Gelson, Mané ou Matheus ainda não têm. Critério e qualidade em posse. Poderá não fazer arrancadas, mas também raramente perderá a bola ou fará um passe à toda. Na bancada vão achar em certas alturas que está a empatar o jogo (Olá Nani, lembras-te destes idiotas?), mas João Mário saberá fazer quase sempre o melhor para a equipa, mesmo que não seja o mais vistoso.

O jogador crescerá mais um pouco, sairá da sua zona de conforto e será melhor e mais capaz no final da época.

Ps: Ou estou muito enganado, ou esta adaptação vai dar muito jeito a outro treinador lá para Junho.

10/08/15

Supertaça a verde: Dominar para ganhar

11/02/2014. O Sporting de Jardim ia à Luz com dois avançados, apostado em surpreender o Benfica de Jesus.
Todos se lembram do que se passou nesse jogou. Um Benfica avassalador e um Sporting sem ideias e a não conseguir jogar.



Tendo em conta que é o primeiro jogo da época e com o que ainda há para desenvolver até Fevereiro, o jogo de ontem foi assim. Mais uma vez a equipa de Jesus meteu a outra no bolso, dominando o jogo do início ao fim.

E o que se viu ontem? As ideias de 6 anos de Benfica apareceram em 6 semanas de Sporting. Não têm a sua maturação, os dias e dias de trabalho, mas estão lá. Defensivamente já lá estão todas e vão ser cada vez mais sistematizadas. Ofensivamente começam a aparecer, embora se note que ainda há muito por onde crescer e evoluir. Teo ainda não tem os 5 anos de trabalho de Lima, por exemplo.

Do outro lado, a diferença também foi notória. Bola no central e charuto para Jonas. Se o brasileiro a apanhasse, a redondinha seguia para Gaitan ou Ola John inventarem um lance. O Benfica até foi capaz de criar algum perigo, mas não da forma regular e consistente como era habitual. Isso existiu apenas do lado do Sporting.

A diferença também se reflecte nos jogadores. Se Jonas foi uma sombra do que foi o ano passado, João Mário (mais que qualquer outro) encheu o campo com classe e confiança. A tal confiança que Jesus falou na conferência de imprensa foi das coisas que mais impressionou no Sporting e João Mário é o maior exemplo disso.

Acrescento ainda algo que notei de diferente. O Benfica de Jesus era uma equipa que não descansava, que não deixava de procurar marcar mais um golo, levando numa ou noutra ocasião a um golo sofrido. Nos últimos dois anos isso foi mudando e ontem voltou a notar-se um maior controlo do jogo com bola depois do golo do Carrillo. É esse o passo que falta para que o Sporting domine e controle o jogo contra qualquer equipa. Saber ter bola e fazer o adversário correr atrás dela.

A fruteira já cá canta, agora é entrar na Liga dos Campeões e amealhar uns trocos.




05/04/15

Resumo da época leonina em 90 minutos


Para quem não viu o jogo, lá foi o Paulo Fonseca entalar outra vez o Sporting.

Quem viu a partida, sabe que o Sporting fez dos jogos mais bem conseguidos esta época. Não por inteiro, mas durante 65 minutos, dominou, fez o que quis deste Paços e por um anormal desperdício de oportunidades claras não goleou.

Só que ai entra outra das facetas do Sporting. Se não dá para ganhar por muitos, importa não deixar fugir a vitória. A equipa entusiasmou-se com a sucessão de oportunidades, o jogo estava fácil e o Paços não tinha armas para aguentar o ritmo. E foi aí que o Sporting começou a ceder o empate. Partiu o jogo e deixou que o Paços voltasse a entrar nele. Não que tenham criado oportunidades de golo, mas voltaram a ter bola e foram refrescando alguns jogadores.

Do outro lado, tenho de discordar do jogo que Marco Silva viu. Mais do que o desgaste de Slimani, o de Carrillo e João Mário era evidente uns bons 10 minutos antes do empate. Rosell e (pasmem-se) Capel teriam sido importantes. Rosell porque ajudaria um William num dia menos bom, estabilizando o meio campo e Capel porque das poucas coisas boas que tem é a sua capacidade de reter a bola e conquistar algumas faltas e cantos, quebrando o ímpeto do adversário. Logo a seguir, sim, entraria Montero por Slimani.

Mas o Sporting como clube fatalista que é, tinha de errar e sofrer o golo no único remate do Paços enquadrado com a baliza. Um grande remate que apanha a equipa em contra pé e Patrício sem ver a bola partir.

Destaque para dois mal-amados de Alvalade. O primeiro é um jogador que gosto muito, André Martins. Que bom foi rever o André que eu conheci num jogo de júniores, ao fim de 3 anos a jogar finalmente na sua posição. Não corre tanto como Adrien nem dá tanto nas vistas, mas não precisa. Vê o jogo de forma mais rápida e defende melhor. Como é que se vê isso? Foi dos primeiros jogos este ano em que William tinha as costas seguras pelo outro médio. Melhor exemplo disso? Lance na primeira parte em que William sai a um contra-ataque, Martins ocupa a sua posição, dobrando mais tarde Tobias dentro da área. Quantas vezes o Paços teve espaço em frente à nossa área em futebol organizado? Isto não se ensina.
O outro mal-amado. Confesso que não sou seu fã. Porque ganha muito e porque nunca lhe vi assim tanta qualidade para andar na selecção e em tanto lado a ser bajulado. Mas voltei a gostar de Miguel Lopes ontem. Defende bem e nos sitios certos e revela um entendimento interessante com Carrillo. Com ele em campo o Sporting ataca mais pelo meio, seja com o lateral ou o extremo a fazer a diagonal. Ganhou o lugar a Cédric e será uma injustiça se o perder no próximo jogo.

27/09/14

A melhor equipa e o melhor conjunto de jogadores


Se provas faltassem que este Sporting é a valer, que se vai bater até ao fim, elas ontem ficaram dissipadas. 

Sendo um jogo que nos últimos minutos podia ter caído para qualquer um dos lados, foram dois pontos perdidos pelo Sporting e um ganho pelo Porto (irritante aquela história de se chamar equipa visitante no estádio).

A primeira parte do Sporting foi muito boa, não excelente. Apenas a eficácia impediu que esse nível se atingisse.  Por tudo o que jogou, o Sporting devia e merecia ir a ganhar para o intervalo por mais. William voltou a ser William durante os primeiros 45 minutos e João Mário, Nani e Carrillo mostraram que há qualidade em Alvalade, a tal qualidade que nos permitirá lutar por qualquer jogo.
Carrillo, esse que tanta gente queria ver pelas costas, esse que mesmo sendo irregular era sempre quem mais assistências fazia na equipa. Vai mais uma e mais uma grande exibição. Depois temos Jonathan Silva. Gostei, mesmo sem o golo. Ainda tem algumas deficiencias de posicionamento, mas respondeu bem. Não é bom em coisas que se podem treinar e aprender, o que é uma boa notícia. Mas os jogadores que vieram são todos uma merda.

Juntando à ineficiência do Sporting na concretização, estes dois pontos perderam-se muito pelo banco que o Porto tem. Lopetegui entrou a medo, com 3 médios iguais, a tentar segurar o meio-campo do Sporting. Deu o que deu. Mal entrou Oliver e a história foi outra, com o Porto a assumir o jogo durante 15 minutos e a aproveitar o ponto fraco do Sporting, a sua defesa. Digo defesa porque a forma como Saar e Maurício não se adaptam à forma de jogar da equipa, afecta todo o processo defensivo. Nem sequer é o auto-golo que está em causa, mas basta pensar que  Rui Patrício tem sido muito mais decisivo neste início de época do que havia sido o ano passado. Tem intervido em mais situações limite e isso deve-se a uma maior permeabilidade da equipa a nível defensivo. Paulo Oliveira é para ontem. Saar tem de aprender a jogar, mas não à custa da equipa principal. Que faça companhia a Tobias na equipa B.

Neste momento é essa a principal nota. O Porto tem o melhor conjunto de jogadores do campeonato. Depois, a níveis diferentes, Benfica e Sporting são mais equipas.

Chamem-me chato, mas já agora volto a dizer. Marco Silva tem os avançados trocados. Joga com Slimani quando é para trocar a bola de pé para pé e mete Montero quando é para lançar bolas para a área. 



21/09/14

Não foi assim tão diferente da Eslovénia


Confesso, dei por mim a pensar antes do jogo "Capel e Saar? Epá, mesmo com Gladstone e Evaldo do outro lado ainda nos lixamos".

Por outro lado gostei da aposta em João Mário. Eu defendo Martins, gosto do seu futebol, mas naquela posição não renderá de forma consecutiva. Se João Mário nesta altura a interpreta melhor, que jogue, ganha a equipa.

Adrien voltou a não ser tão errático, Nani mostrou o porquê de tanto entusiasmo (há finalmente um jogador no Sporting que nos faz acreditar que pode ser tão bom como os melhores deste campeonato) e João Mário aproveitou muito a oportunidade que teve. Slimani voltou a tentar ser Montero e a fazer algumas coisas boas (e a falhar um golo escandaloso. Ai se fosse o Montero) e Capel...foi Capel. Lembro-me pelo menos de 3 jogadas que matou na 1ª parte e outra em que pode conduzir a bola e tira logo o balão para a área. Gestão de Carrillo? Preferia Mané em campo.

O jogo foi fácil por culpa do Sporting. Entrou forte (como havia entrado com o Belenenses) mas não encontrou a mesma oposição. Curiosamente também, tirando Capel, a equipa jogou muito mais pelo meio, abusou muito menos do futebol pelas alas e do balão para a área. Isto mostrou-nos um Sporting mais solto, a jogar melhor, sempre com Nani a comandar a equipa.

Quanto à defesa, foi pouco testada, mas mostrou o que vale. Cédric encaixa pior neste estilo de futebol (prefere sempre o cruzamento ao jogo interior), Maurício foi ultrapassado algumas vezes em velocidade e Saar não se livrou de levar nas orelhas de Patrício num canto em que deixa o ponta de lança do Gil saltar sozinho na área. Jonathan agradou-me, parecendo ainda mais lateral que defesa. Veremos como fará a adaptação ao futebol europeu.

Os próximos dois testes vão ser duros, muito duros. Se Marco Silva não quer mudar os centrais que arranje uma maneira de os proteger mais. Jackson e Diego Costa não são Caetano.

14/08/14

Sporting 14/15, o que almejar?

O PLANTEL
Olhando para o plantel perderam-se 3 suplentes muito utilizados (Dier, Piris e Wilson), o 12° jogador (Slimani) e um titularíssimo (Rojo). Sim, acho muito difícil que Rojo e Slimani voltem a jogar. 

Chegaram 3 centrais,um lateral para cada lado, um trinco, dois médios centro e um avançado. Junte-se ainda Shikabala. Confirmando as boas impressões da pré-época, Rosell, João Mário e Tanaka são boas soluções.

Há mais folga no meio-campo, sendo o centro da defesa e as alas as maiores dúvidas. 

Com a saída de Rojo falta um titular. Domingo provavelmente jogará Paulo Olveira, mas mesmo com Saar,Rabia e Tobias parece faltar um parceiro mais pronto, mais rodado ao alto nível.

No ataque, além do substituto que terá de chegar para Slimani, parece que falta algo nas alas. Mané é um menino, Carrill irregular, Capel e Héldon insuficientes e Shikabala uma incógnita. Falta um titular, um géniozinho, um "Gaitán". Será que existe um ao alcance do nosso bolso?

OBJECTIVOS
Com tudo isto para que metas apontar?
Ataque ao titulo? Sim, mas na base de outsider. É verdade que no ano passado se lutou até muito tarde contra um Benfica muito superior, mas as circunstâncias também eram especiais. A obrigação, não estará mais uma vez do nosso lado, mas é obrigatório estar na luta.

Taças. A de Portugal para ganhar. A da Liga para dar rodagem aos miúdos, assim espero. Se não for cumprido o que foi dito o ano passado sobre esta competição, o Presidente fará figura de idiota perante o que aconteceu e o que prometeu.

Europa. Ano de regresso à Champions, pote 3. Creio que um 3° lugar e passagem à Liga Europa seria um bom compromisso entre ganhos financeiros e performance desportiva. A Champions não é para clubes portugueses. Uma passagem poderá significar uma eliminatória "muito complicada" para qualquer clube português. Mais vale dar passos mais pequenos e subir a pontuação do clube no ranking numa competição mais favorável.

02/08/14

Sporting do Silva

O Sporting do Jardim defendia bem, era muito bem organizado e atacava de forma razoável. Razoável porque era muito padronizado, ao ponto de os nossos adversários estudarem o padrão e a coisa precisar de ser resolvida pelo ar. Não era bonito, mas o problema resolvia-se.



Pela tv já tinha ficado com essa ideia, ontem confirmei-a. O Sporting do Silva é diferente. Ainda não apresenta tanta segurança defensiva, não pela forma como tenta defender, mas pela falta de pernas que Rojo e William ainda mostram. O Sporting defende mais à frente. No ano passado a equipa recuava e Martins e o avançado pressionavam sozinhos. Agora são 10 a pressionar alto, levando a que o adversário perca mais bolas.

A atacar também se notam diferenças. Martins já não tem um jogo robotizado que o obriga a ir para a direita a trocar com o extremo. Agora joga livre, mostrando a todos o grande jogador que é. Nem tanto pelos golos, mas pela forma como joga, como ajuda Montero a gerir o futebol da equipa do meio campo para a frente. William faz um passe a rasgar o meio-campo adversário e a bola, normalmente, chega aos dois estrategas. É esta a maior diferença, a bola roda sem que o adversário conheça o movimento. Até Capel, dentro das suas limitações tem jogado com a cabeça ligeiramente mais levantada, a preferir jogar mais simples do que a partir para aquelas corridas à doida que raramente dão alguma coisa.

Leigo me confesso, mas a ideia com que fico é que a equipa pensa mais no que fazer e menos no que tem de fazer de forma obrigatória, o que resulta num jogo mais variado, mais apelativo e menos decifrável pelos adversários.

Reforços
Verdadeiros, temos 5 até ao momento. Dois já cá estavam. Martins e Carrillo, que beneficiam muito desta forma de jogar ligeiramente diferente.
Dos novos, Tanaka, João Mário e Rosell. Têm algo em comum, sabem perfeitamente o que fazer e quando. Os dois primeiros evidenciariam-no na jogada em que Mané não soube o que fazer. Tanaka pelo grande passe, "à 10" e João Mário, quando a bancada pedia um remate ou 30 fintas, a perceber que a jogada tinha acabado e mais valia voltar um pouco atrás e começar de novo.

Ps: engraçado rever Pereirinha. Não se tornou um craque, mas é um médio centro muito competente. Tanto se falou que Meireles estava acabado e cada vez mais se percebe que soluções não faltaram, apenas vontade de as utilizar.

31/05/14

Sporting : como acrescentar mais qualidade

Na cabeça de todos ainda está fresca a boa época que o Sporting realizou. Poderemos até considerar que a época foi muito boa se tivermos em conta todas as condicionantes, quer desportivas quer financeiras. Com a divulgação do R&C ontem, confirmou-se que o trabalho está a ser bem desenvolvido nas duas componentes.

Vamos por partes.

Treinador
Leonardo Jardim foi sem dúvida um dos grandes (ou talvez o maior) obreiro da última época. Poucos esperariam um ano tão bom tendo em conta o passado recente e o grande desinvestimento que a equipa sofreu. Aqueles que agora dizem estar satisfeitos com a saída de um "mercenário" são hipócritas e mal agradecidos. É certo que o Sporting projectou Leornardo Jardim, mas muito do bom que se viu na época que agora termina, deve-se ao bom trabalho do madeirense. Algo que não se verificou apenas no Sporting, mas por todo o lado por onde passou. Que assim continue no Mónaco, que o Sporting tirará dividendos do seu sucesso. Isto leva-nos a outro ponto. A temporada foi de tal maneira inédita que pela primeira vez o Sporting vendeu um treinador. 3 milhões no imediato e mais 3 que dependem do sucesso de Jardim no principado são um bom negócio.

Marco Silva é o homem que se segue. Deu muito boas indicações no Estoril (onde nunca perdeu com o Sporting), mas a exigência vai ser diferente. Penso que a sua ideia sobre como deve jogar se ajusta ao Sporting, ser dominante durante os jogos. Restará saber como o fará quando não tiver o espaço que as outras equipas davam ao seu Estoril. De qualquer das formas tenho confiança no seu trabalho e essencialmente em quem o escolheu. A celeridade com que todo o processo foi tratado revela o tipo de trabalho que agora se faz em Alvalade. A bola que bate na barra e não entra perdeu muita importância.

Plantel

Olhando para o rendimento da última época o Sporting gravitou à volta de 14/15 jogadores. Os 11 titulares, Slimani, Mané, Wilson/Héldon e Dier. Acabou por chegar, tendo em conta que não houve competições europeias e que fomos prematuramente eliminados na Taça de Portugal. Mesmo assim, foi evidente, especialmente no final da época, que não existiam muitas soluções no banco, particularmente no meio-campo. 

William, Adrien e até Martins nunca tiveram concorrência à altura. Com o regresso de João Mário e a contratação de Slavchev o problema poderá estar resolvido. Continua no entanto a faltar o chamado 10. Será Shikabala ou terá de haver nova contratação? Falta saber se Vitor e Wallyson, por razões diferentes, contam para a nova época.

Para a defesa já chegou Paulo Oliveira, a meu ver para ocupar a vaga de Dier que assumirá a titularidade com a mais que provável saída de Rojo. Cédric terá em Petkovic o seu concorrente directo. Fica a faltar um central para fechar o quarteto (Tobias?) e um concorrente para Jefferson.

No ataque a coisa é mais bicuda. Se Montero e Slimani corresponderam em alturas diferentes (e mesmo assim devem contar com mais um concorrente), nas alas apenas Mané fez uma boa época. Todos os outros foram demasiado intermitentes. Capel deve sair, pelo ordenado e até aproveitando uma ponta final de campeonato de maior fulgor. Héldon não deve sair ao fim de 6 meses. Sobram Carrillo e Wilson. Um dos dois sairá. Carrillo é talvez o maior talento do plantel, mas é também o seu jogador mais irregular. Wilson é um bom rapaz, da formação, talvez mais útil como segundo avançado do que como extremo. Pode ser útil, mas creio que a sua permanência dependerá do que se conseguir encontrar no mercado. A estas contas podemos somar Esgaio, que pelo rendimento que apresentou na equipa B nos últimos 2 anos merece uma oportunidade.

Fazendo as contas de forma rápida, o plantel contará com 24/25 jogadores. Um número ligeiramente superior a este ano, mas que se justifica. Na pior das hipóteses o Sporting terá mais 10 (4 de campeonato e 6 na Champions) jogos na próxima época, levando a que o plantel seja mais extenso, em quantidade e qualidade.

Pelos jogadores que já entraram e pelos que se dizem poder vir a entrar, muitos vão atacar o Sporting dizendo que não apostará na formação como em outros anos. No mínimo mais um jogador da formação fará parte do plantel e a integração desta malta não pode ser forçada, apenas para que um Jorge Mendes desta vida nos venda o menino ao magnata de Singapura. Se todos os anos pudermos subir 1 ou 2 miúdos de forma sustentável e responsável, já será muito bom.

Olhando para tudo isto e sabendo que as trutas não vão existir, o Sporting partirá sempre atrás de Benfica, principalmente, e Porto. Mas parte muito menos atrás que na época anterior, o que só abre boas perspectivas para a próxima.



09/01/14

Poupar e gastar em casa

Percebo que não haja reforços neste mercado de Janeiro. Embora a equipa esteja acima das expectativas, não se pode matar o futuro pela possibilidade de um título. Vamos tentar com estes. Só temos campeonato e Taça da Liga, portanto terá de chegar.
 
Labyad receberá (fazendo fé nos jornaleiros) cerca de 200 mil euros mês. Se aplicarmos esse milhão de euros poupado na compra de % do passe de William, Cédric, Rojo, Adrien ou Martins, será mais bem empregue do que o estar a gastar num jogador que nem na equipa B joga. Até porque com um mundial à porta e com a possibilidade de alguns destes se mostrarem nessa montra, dinheiro agora gasto pode voltar a triplicar nessa altura. 
Labyad vai para um campeonato familiar e para uma equipa que está na luta pelo título. Que volte a justificar o ordenado que recebe ou que se valorize para ser vendido.
 
João Mário não seguiu para a Bélgica como se pensava. Vai para mais perto, jogar num Setúbal que com Couceiro tem jogado bem. Cresce aqui perto e joga, coisa que já nem na B fazia.
 
Fala-se ainda das idas de Nuno Reis e Betinho para o Cercle. Pode ser bom. A parceria com os belgas tem funcionado porque são eles que escolhem os jogadores que querem, logo estes acabam por jogar mesmo. Principalmente Betinho precisa de subir um degrau nesta altura.
 
Faltam resolver os casos de Elias e Jeffrén. O primeiro parece interessar a meio Brasileirão, o segundo vai ser uma pedra no sapato pelo elevado ordenado. Não valeria mais dar-lhe alguns minutos de competição numa das nossas equipas?