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31/12/15

O ano em que voltámos a ser Sporting

É se calhar uma frase muito forte ou para alguns desajustada, mas acho que se adequa bem ao ano que hoje termina.

O Sporting na sua génese é um clube vencedor, é um clube que disputa as competições onde está inserido com o objectivo máximo, vencer a prova.
2015 marca o regresso a esse desígnio pelo regresso do futebol aos títulos, a Taça e a Supertaça. É este o caminho que um clube como o Sporting tem de percorrer. Pode não ganhar sempre, mas tem de ganhar mais vezes e andar metido nas decisões até ao final.

31 de Dezembro de 2014 vs 31 de Dezembro de 2015

Há um ano atrás o Sporting seguia em 5º no campeonato a 10 pontos do líder Benfica. Este ano segue em 2º a 1 ponto do líder Porto, com o confronto de sábado em perspectiva.

Na Taça ainda se encontrava em prova, enquanto este ano já foi eliminado.

Na Europa chega à mesma fase da mesma competição por caminhos diferentes.

Na Taça da Liga tudo igual.

Ou seja, o Sporting está melhor no campeonato, pior na Taça e igual nas outras competições.

Acho que o balanço é positivo. Mesmo com a entrada de Aquilani e Bryan Ruiz (principalmente estes) que dão à equipa, as ausências de Nani e Carrillo retiram à equipa os seus dois melhores jogadores do ano passado sendo que apenas um deles pode ser substituido por Ruiz.

O Sporting é uma equipa muito mais segura defensivamente, sendo uma das melhores defesas do campeonato, enquanto ofensivamente apenas tem menos 2 golos marcados. Tendo em conta as ausências que já referi é um bom registo. O responsável por esta mudança? Pois, o cérebro.

Marco Silva tinha qualidades (especialmente visiveis nos primeiros 3 meses da época) a nível ofensivo, não montando muito bem a equipa a nível defensivo. Nenhum jogo estava verdadeiramente controlado porque a equipa não tinha um processo defensivo bem trabalhado e que desse garantias. A aposta em Naby Saar também não ajudou.
Ofensivamente a equipa até tinha boas ideias, mas rapidamente abdicou delas para tentar defender ligeiramente melhor. Voltou o tempo do chuveirinho para Slimani e o futebol do Sporting sofreu com isso, pese embora ter conquistado mais alguns pontos na segunda volta. O jogo do Jamor é um bom exemplo desses problemas defensivos. Acabou por valer a garra e a felicidade nesse dia.

Jorge Jesus é o oposto. Sabe trabalhar bem as equipas a nível ofensivo, mas é no processo defensivo que é mestre. Deixaram de ser 4 rapazes a defender para ser um bloco a defender de forma conjugada. A equipa hoje ataca e defende como um todo e isso nota-se. Querem perceber a diferença? Revejam os jogos contra o Benfica deste ano e revejam qualquer outro nos últimos 6 anos. Vão ver que a melhor equipa e a mais organizada é sempre a de Jesus. Sempre.

É esta diferença que acho que deixará o Sporting mais perto de poder ganhar o título este ano. Na parte controlada pelo treinador estou descansado, temos o melhor que anda por cá. Depois, lá dentro é com os jogadores. Nesse capítulo o Porto leva vantagem, porque lá dentro quem joga são os jogadores. A adição de Bruno César e a recuperação de Carlos Mané poderão atenuar estas dificuldades.

Quem 2016 seja o ano em que voltamos à rua para celebrar um campeonato!

05/06/15

A justa causa de Marco e as baboseiras

Está consumado e por justa causa. Futebolisticamente falando, já dei a minha opinião sobre Marco Silva (Ler aqui).

Será mesmo justa a causa? Espero para ver, em vez de dizer e escrever já enormidades. Mesmo que seja, acharia sempre tudo isto evitável. Se por um lado tudo aquilo que se diz "que o Marco possa ter feito" é demasiado grave, por outro (dada a hipotética gravidade) não teria sido despedido logo em Dezembro?
Este foi o maior erro de Bruno de Carvalho. Se realmente tem algo que justifique a rescisão, já o teria naquela altura. Terá preferido que fosse José Eduardo a dar recados para facilitar a tarefa? Não sei, não me pareceu a melhor estratégia, quer moralmente quer para o objectivo que pretendia. Sei que se tivesse tomado esta decisão em Dezembro e a explicasse aos sócios, teria sido entendido. Fazendo as coisas como fez, acabou por abrir o flanco.

Mesmo com este erro crasso de Bruno de Carvalho, continuam a existir coisas que me fazem rir e pensar que tivemos o que merecemos durante muitos anos.

1. Desculpem-me se, mesmo ganhando pouco nos últimos largos anos, quero ganhar sempre. Tenho ouvido falar numa época excepcional do Sporting.
Fizemos uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, ficámos em 3º (com o 3º maior orçamento) e vencemos a Taça de Portugal. Mais do que isto era milagre? Não creio. A época foi razoável, normal. Excepcional é conversa de adepto do Belenenses ou do Paços, com todo o respeito que estes me merecem.

2. Há algo que não bate certo. A época é excepcional porque a equipa é fraca. Então a equipa é fraca e ao mesmo tempo é uma vergonha o Adrien e o Cédric não irem à Selecção? O Slimani vale uns 15 milhões, o Jefferson só devia sair por 10 e o William pela cláusula? Não bate certo não é? Mais uma vez, nem 8 nem 80. Nem a equipa é assim tão fraca ou tão boa, nem a época foi assim tão má ou tão excepcional.

3.Tenho visto muita gente a dizer "é com atitudes destas que tiram adeptos do estádio. Eu sou um deles!". Curioso que usam a palavra adeptos. Reforço, adeptos. Ainda não ouvi nenhum sócio com lugar de época dizer que rasga o cartão e que faz isto e que atropela Bruno de Carvalho se o vir numa passadeira. Quem diz estas enormidades são os mesmos que vão estar em extâse quando se ganhar o primeiro jogo, os mesmo que vão dizer "eu sempre acreditei no presidente!", os mesmos que assistiram impávidos e serenos ao assalto de 17 anos de que o clube foi alvo, os mesmos que acham que ficar à frente do Benfica basta para uma boa época.

4. Estão revoltados e indignados com este presidente? Façam-se sócios e façam-se ouvir numa AG, votem daqui a 2 anos. Lembrem-se é de uma coisa. Não podem ser sócios só nos dias em que a bola entra e o futebol ganha.

Eu não sou do Bruno, do Marco, do Jesus, do Dias da Cunha, do Bettencourt ou do Inácio. Sou do Sporting Clube de Portugal.
Não querem ir ao estádio? Melhor, é de maneira que não saem 10 minutos antes da hora.

21/05/15

O que é preciso é calma e bom senso

 
Devo parecer um disco riscado quando se fala em questões que pululam à volta do Presidente do Sporting. Isto porque acho parvos aqueles que tudo criticam como aqueles que dizem ámen cegamente.
 
O estilo é diferente, para melhor e pior.
Durante anos concordamos que este futebol era(e é) podre, que há muito interesse e promiscuidade com a comunicação social e ficamos melindrados por termos aberto essas "guerras"? Ficamos chateados por cortar relações com um clube que durante anos corrompeu? Ficamos chateados por cortar relações com um clube que condena(e bem) a violência de domingo e não fez o mesmo sobre as tochas atiradas em Alvalade?
Devemos apoiar uma liga que despreza as propostas que apresentamos, afrontando-nos com a escolha de candidatos cozinhados na Mealhada?
 
Depois os conflitos Doyen e Somague. Não tenho bases e conhecimento jurídico para perceber se há razão no primeiro caso. Esperarei pela decisão do TAS, da mesma forma que fiz o mesmo no caso Bruma. Não deixo de achar piada às testemunhas apresentadas por Nélio Lucas.
O segundo é algo normal no dia-a-dia da construção civil. Seguiu-se o parecer da FICOPE, que foi contratada para zelar pelos interesses do Sporting. Quem faria algo de muito diferente?


A questão Marco Silva é diferente. Há claramente algo que está por explicar. Não é normal tudo o que se tem passado. Se tudo aquilo que José Eduardo disse (por indicação da direcção, na minha opinião) Marco Silva estaria fora antes do Natal. Mas ainda cá está e o circo continuou. O último sábado foi tão pitoresco como escusado.
Um lançou e o outro mordeu o isco. Mordeu-o ao seu estilo e voltou a ser um elefante numa loja de porcelanas. Chegou ao seu alvo, o treinador, mas para isso arrasou tudo à sua volta. Sempre disse que por vezes se acertava no conteúdo da mensagem mas se falhava na forma de transmitir. Desta vez, o silêncio tinha sido mesmo o melhor remédio.

 
Por último os dinheiros. Acho normal que seja complicado arranjar bons patrocínios no mercado actual. A marca Sporting não é assim tão grande como podemos pensar. Quem não ganha, não vende. Já não acho normal que se dê a entender essa dificuldade de forma pública. Também não acho normal que ao fim de 2 anos ainda não seja conhecido "o" investidor. Por mais leigo que seja nestas operações, não faz sentido um delay tão grande.
Também não acho normal o que vou lendo. Citando Marco Silva, acho que é uma 'sacanice' que se leia a entrevista de Carlos Vieira e se tire de lá que poderá haver um patrocínio directo da Guiné Equatorial.

 
No fundo, e repetindo aquilo que sempre disse, onde  se tem falhado mais é na parte da união. Há virtudes e defeitos claros, mas a clivagem acentua-se cada vez mais. Uns apenas olham para as primeiras, outros apenas para os segundos. Isso deve partir de cima. Falta-nos calma e bom senso, dentro e fora do clube.

Ps: O ambiente que ontem se viveu em Odivelas só reforça mais (como se ainda fosse necessário) a urgência do Pavilhão João Rocha. Que aqueles guerreiros consigam trazer o caneco de volta para Lisboa!

15/05/15

Marco Silva, manter ou mudar?


Em toda esta história contará sempre muito o que aconteceu em Dezembro, talvez até mais que os aspectos meramente futebolisticos. Nunca se percebeu bem o que aconteceu e porque aconteceu (embora muitos tenham certezas absolutas de coisa nenhuma), mas é possível considerar a época antes e após o Natal.

Antes do Natal
 
Uma das coisas que mais ouvimos durante a pré-época é que Marco Silva estava a ser inteligente e a utilizar a base deixada por Leonardo Jardim. Isso era verdade, porque o 11 titular era muito semelhante ao 11 tipo utilizado pelo madeirense, mais nada. Desde cedo que o Sporting começou a jogar diferente, a dominar mais e a defender com menos gente. Melhor exemplo dessa alteração? O jogo contra o Benfica na Taça de Honra. Não interessa a vitória, mas a forma como a equipa jogou. Nesse jogo Rosell descia muito para o meio dos centrais, parecendo um trinco à Jesus, começando a equipa a construir de trás e a 3. Era uma forma também diferente de defender. Mais em bloco e mais à frente, mais à Jesus outra vez.

Naturalmente esta forma de jogar é mais adequada aos objectivos do Sporting e ao tipo de futebol que uma equipa grande deve praticar. Então porque falhava? Jesus é um mestre a defender. Por mais que o queiram catalogar como treinador ofensivo, é essencialmente um especialista defensivo. Porque é o que é mais fácil de ensinar e controlar, não dependendo tanto da qualidade individual dos jogadores. Com adaptações é certo, mas é mais fácil ensinar a defender que ensinar a atacar.

Ora Marco Silva não é esse mestre. Por comparação, o grande mérito de Leonardo Jardim foi esconder as debilidades da equipa. O Sporting não tinha jogadores muito bons individualmente a defender, mas defendia bem. Qualidade colectiva acima da qualidade individual. Marco Silva tentou defender difererente, expondo mais as insuficiencias da equipa. Quantas bolas de golo Rui Patrício salvou? Faltam-me dedos no corpo para as contar a todas.

Por melhor que ataque, por melhor que troque a bola (e o Sporting até o fazia e bem) uma equipa nunca terá verdadeiramente o controlo do jogo se puder sofrer um golo em qualquer jogada. Era esse o grande problema do Sporting "pré-Natal".

Poderia naquela altura a equipa estar a fazer muito melhor do que tinha feito? Provavelmente teria um destino semelhante na Liga dos Campeões e poderia ter mais uns pontos na Liga. Acima de tudo poderia e deveria saber defender melhor nessa altura.

Depois do Natal
 
Como evitar que a equipa sofra tanto a defender, particularmente nos contra-ataques ou ataques rápidos? Limitar a zona onde se perde a bola. Perder a bola nas linhas será sempre menos mau que a perder na zona central. Como é que se consegue isso? Deixando de jogar pelo meio e por consequência, deixando de atacar tão bem e deixando de jogar como equipa grande. Aliando isso a uma melhoria individual dos centrais, o Sporting melhorou um pouco a defender e piorou muito a atacar.

Isto mexe com o rendimento dos jogadores. Muitos criticam Montero por não ter aproveitado a ausência de Slimani na CAN. São os mesmos que assumem (e bem) que o Colombiano é um jogador inteligente e que rende mais com mais jogo entrelinhas. Não havendo jogo entrelinhas, de certeza que Montero renderá bastante com balões para a área não é?

A equipa não jogou sempre mal, mas o pecado estava feito. De quando em vez voltaria algum jogo atacante pelo corredor central. Em alguns jogos, em alguns lances, mas nunca da forma regular que nos valeu, por exemplo, uma passagem limpa no Dragão para a Taça de Portugal.

A recente utilização de Tanaka, Montero e André Martins atenuou o problema, mas já não o podemos esconder debaixo do tapete. A equipa deixou de saber (por opção) atacar pelo meio, restringindo-se muitas vezes ao balão aleatório para a área.


Manter ou mudar
Ignorando as feridas que o Natal deixou. Futebolisticamente falando é uma decisão dificil. O Sporting fez coisas muito boas e coisas muito más na mesma época. Se fosse garantido um Sporting semelhante ao do início de época, com um processo defensivo melhorado e mais capaz de esconder as debilidades dos jogadores, era sem hesitar. Marco Silva seria para continuar.
Se for para manter a ideia da segunda parte da época, futebolisticamente falando, não serve.


Mudar para quem?
 
Fala-se de Paulo Sousa, que com uma equipa barata bateu o pé ao Liverpool. Que outras hipóteses temos? Não vejo muitas. O Sporting (a precisar) tem de ter um treinador que acima de tudo saiba aproveitar ao máximo os jogadores e escolher um modelo e estilo de jogo que lhes assente melhor. Olhando à maioria dos que podem constituir o plantel no próximo ano, será sempre para jogar à grande e nunca na retranca.

04/05/15

Em velocidade cruzeiro



Durante 45 minutos não houve futebol em Alvalade. O Nacional porque não tem para mais (e mesmo assim luta pela Europa...) o Sporting porque está com a cabeça noutro lugar.

A isto não ajudou a forma como a equipa entrou. Eu defendi o 4-4-2 utilizado nos últimos dois jogos e continuarei a defender. Acho que é o sistema que melhor se adaptará aos jogadores que o Sporting tem. O problema até é algo transversal ao 4-3-3 tão utilizado. É preciso haver gente entre linhas, é preciso ter alguém a meio do meio-campo adversário.


Não raras vezes durante o jogo existia um buraco em frente à área do Nacional. Se jogam dois jogadores "rotulados" como avançados, um deles terá sempre de baixar, de dar uma linha de passe mais próxima e frontal aos médios. Só que a formatação da linha lateral é demasiado grande. Por mais que se mude o sistema, o automatismo foi criado e agora é muito difícil desfazê-lo. O erro não é de agora, é de Dezembro/Janeiro, onde se abdicou daquilo que a equipa tinha de melhor.

Com a entrada de Carrillo e a saída da camisola de Capel, a equipa naturalmente melhorou um pouco e chegou com naturalidade à vitória. Assim continuará, a gerir e a caminhar naturalmente até ao Jamor. 

28/04/15

Goleada à colombiana


É difícil não associar a vitória em Moreira de Cónegos ao nome de Fredy Montero. Marco Silva voltou a dar-lhe minutos e voltou a dar-lhe companhia. Não percebo porque razão Montero não joga mais vezes na frente acompanhado. O colombiano leva 12 golos nesta época, 9 dos quais com outro avançado em campo. Esteve sempre melhor quando a equipa jogou em 4-4-2 e sempre que marcou o Sporting não perdeu (apenas dois empates). Mais do que desperdiçar um jogador, estamos a desperdiçar uma ideia de jogo, algo que poderia potenciar melhor os nossos jogadores. Tanaka jogaria melhor em 4-4-2. Mané jogaria melhor em 4-4-2 ( na sua posição base, a avançado). João Mário e André Martins idem.

Muitos levantarão a questão do meio-campo. Que ficará menos protegido, que passará a estar em desvantagem numérica em relação aos adversários. O futebol não é estático, é dinâmico. Não é por um jogador ter um rótulo de avançado que não pode a certa altura do jogo ser lateral-direito, médio centro ou extremo esquerdo. Depende do que o jogo pede e da qualidade do jogador. Os que a têm mais facilmente cumprem em todas essas funções. 

Sim, vou falar outra vez de André Martins. Outra vez a jogar de frente para o jogo, outra vez a fazer uma boa exibição. Quantas vezes dobrou Jefferson, quantas bolas recuperou, quantos ataques iniciou com critério? Ah, mas não deu nas vistas nem andou a fazer piscinas atrás da bola. Realmente não presta. Uma pena se realmente se confirmar a sua saída no final da época.

O terceiro lugar está fechado. Será interessante ver a rotação que Marco Silva promoverá até ao Jamor. Na próxima semana não há William. Nova oportunidade para Rosell ou continua o sistema que mais favorece os jogadores do Sporting? Não tenhas medo Marco!

05/04/15

Resumo da época leonina em 90 minutos


Para quem não viu o jogo, lá foi o Paulo Fonseca entalar outra vez o Sporting.

Quem viu a partida, sabe que o Sporting fez dos jogos mais bem conseguidos esta época. Não por inteiro, mas durante 65 minutos, dominou, fez o que quis deste Paços e por um anormal desperdício de oportunidades claras não goleou.

Só que ai entra outra das facetas do Sporting. Se não dá para ganhar por muitos, importa não deixar fugir a vitória. A equipa entusiasmou-se com a sucessão de oportunidades, o jogo estava fácil e o Paços não tinha armas para aguentar o ritmo. E foi aí que o Sporting começou a ceder o empate. Partiu o jogo e deixou que o Paços voltasse a entrar nele. Não que tenham criado oportunidades de golo, mas voltaram a ter bola e foram refrescando alguns jogadores.

Do outro lado, tenho de discordar do jogo que Marco Silva viu. Mais do que o desgaste de Slimani, o de Carrillo e João Mário era evidente uns bons 10 minutos antes do empate. Rosell e (pasmem-se) Capel teriam sido importantes. Rosell porque ajudaria um William num dia menos bom, estabilizando o meio campo e Capel porque das poucas coisas boas que tem é a sua capacidade de reter a bola e conquistar algumas faltas e cantos, quebrando o ímpeto do adversário. Logo a seguir, sim, entraria Montero por Slimani.

Mas o Sporting como clube fatalista que é, tinha de errar e sofrer o golo no único remate do Paços enquadrado com a baliza. Um grande remate que apanha a equipa em contra pé e Patrício sem ver a bola partir.

Destaque para dois mal-amados de Alvalade. O primeiro é um jogador que gosto muito, André Martins. Que bom foi rever o André que eu conheci num jogo de júniores, ao fim de 3 anos a jogar finalmente na sua posição. Não corre tanto como Adrien nem dá tanto nas vistas, mas não precisa. Vê o jogo de forma mais rápida e defende melhor. Como é que se vê isso? Foi dos primeiros jogos este ano em que William tinha as costas seguras pelo outro médio. Melhor exemplo disso? Lance na primeira parte em que William sai a um contra-ataque, Martins ocupa a sua posição, dobrando mais tarde Tobias dentro da área. Quantas vezes o Paços teve espaço em frente à nossa área em futebol organizado? Isto não se ensina.
O outro mal-amado. Confesso que não sou seu fã. Porque ganha muito e porque nunca lhe vi assim tanta qualidade para andar na selecção e em tanto lado a ser bajulado. Mas voltei a gostar de Miguel Lopes ontem. Defende bem e nos sitios certos e revela um entendimento interessante com Carrillo. Com ele em campo o Sporting ataca mais pelo meio, seja com o lateral ou o extremo a fazer a diagonal. Ganhou o lugar a Cédric e será uma injustiça se o perder no próximo jogo.

10/03/15

Twilight zone em Alvalade

Aos 10 o jogo parecia arrumado. O Sporting respondia à série menos positiva com uma entrada forte, com vontade, com dois golos.

Depois o jogo virou. A goleada "prometida"esfumou-se num minuto com uma expulsão (justa) e um golo na sequência do livre. Era mesmo o que faltava. Depois de semanas de grande desgaste, 80 minutos com 10.

A equipa não tremeu como quiseram passar na conferência de imprensa mas teve azar. O corte de Paulo Oliveira foi para onde não podia e o Penafiel empatava a 2 ao segundo remate. Mesmo com 10, o Sporting foi melhor em todo o jogo e ficou a dever a si mesmo um resultado mais folgado e mais adequado à diferença entre as equipas.

Ewerton estreou-se sem grandes problemas, mas mostrou ainda estar sem ritmo e pouco entrosado. Tem no jogo do Funchal nova chance para se mostrar.

Marco Silva hoje falou de arbitragens e bem. Convém relembrar o Sr.Quinta do seu silêncio quando foi assaltado frente à casa mãe bem há 2 meses.

Por último, os assobios a Nani. Eu percebo que se espere muito do Nani, faz sentido tendo em conta a sua qualidade. Mas dá para ter um bocado mais de paciência? Dá para não assobiar ao primeiro ou segundo passe falhado? Dá para bater palmas como se o Capel estivesse a sprintar para a linha de fundo para mandar um balão para a área?

01/03/15

Perdidos no dilúvio do Dragão

O Sporting apresentou-se como o tempo. Cinzento e frio.
Durante meia hora jogou com as linhas juntas e não foi permitindo que o Porto criasse muito perigo. Nessa altura apareceu "o" avançado deste campeonato. Jackson desbloqueou o jogo e deu o golo a Tello. 

55 minutos, o mesmo filme. Jackson, bola nas costas e golo de Tello. O terceiro golo a mesma coisa.

As pernas faltaram aos de Alvalade e até a clarividência. Adrien não está bem. Não é de hoje, não é de quinta-feira. Adrien não está bem há muito tempo. Mas continua a jogar. O plantel é curto, mas será que têm de jogar sempre os mesmos? Mané (ficou de fora por lesão?) não poderia ter jogado hoje? André Martins o mesmo?

Disse a semana passada que esta semana jogávamos a Europa. A liga europa já foi e o acesso directo à Champions é nesta altura uma miragem. Que se segure o terceiro lugar e se termine a época com a conquista da Taça. A época será razoável se isso for conseguido. O falhanço de um ou outro objectivo torna-a, a nível de resultados, má.

Nem tudo está mal hoje, da mesma forma que nem tudo estava bem aquando do jogo de Outubro.
Não digo que Marco Silva tem de ser demitido e que é um "lampião infiltrado a rebentar o Sporting por dentro".
Digo que o jogo defensivo da equipa melhorou apenas pela melhoria individual dos seus centrais e que o jogo ofensivo da equipa se afunilou nas alas, o que também levou a uma ligeira melhoria defensiva. Mas o problema está lá desde o início da época. 
O Chelsea não goleou em Alvalade porque Patricio não deixou, mas as suas oportunidades foram semelhantes aos golos de hoje do Porto. O golo de Jackson para a Taça foi semelhante aos de hoje. Bolas nas costas, bolas nas costas, bolas nas costas, bolas nas costas. Até o Paços em Alvalade marcou desta maneira, Huntelaar na Champions, Bas dost na Liga Europa. É sempre igual.

22/02/15

Quando a borracha anda pelo chão é tão mais fácil

Minuto 22. A bola circula pelo chão em frente à area do Gil Vicente, acaba em Carlos Mané e este atira para a defesa de Adriano. Revejam essa jogada várias vezes. Está lá tudo. Tudo o que deveríamos fazer mais vezes e tudo o que não fizemos ultimamente.

O Sporting pode e tem jogadores para fazer muito melhor que nos últimos 3 jogos. João Mário jogou mais atrás que o costume e fez um bom jogo. André Martins (o ostracizado) voltou a mostrar que quando não lhe pedem para ser número 10 ou o novo Saviola, é um jogador que interpreta e entende muito bem as ideias (originais) de Marco Silva. Mostrou mais uma vez que há mais soluções no plantel, que Adrien não precisa de jogar até à exaustão e que o seu estatuto não deve impedir que se decida o que é o melhor para a equipa em determinados jogos.

De resto, é óbvio que Nani perdeu algum fulgor com a lesão do Bessa. Mas estará a jogar assim tão mal a ponto de ser assobiado no próprio estádio? Estamos tão mal habituados, é tão melhor ter o Capel a correr sem sentido e na melhor da hipóteses a ganhar umas faltas.

Nani não precisava deste golo para mostrar a sua qualidade, mas ainda bem que o fez. Cala os idiotas e ganha confiança para as duas finais que se seguem. Sim, nestes dois jogos não há volta a dar. Jogamos a Europa duas vezes. A deste ano e a do próximo.

20/02/15

Reality check maneirinho na Alemanha


Este reality check não foi tão "bruto" como o de Londres com o Chelsea. O Wolfsburgo é uma grande equipa, mas nem defende assim tão bem nem podia contar com o seu meio-campo habitual.

O problema é que do meio-campo para a frente é muito forte e o Sporting jogou como nos últimos jogos. É frustrante ver este Sporting e fazer a comparação com o início da época. A equipa  e/ou o treinador, desistiram do jogo interior. Já não se trata de não conseguirem, não querem. Alas, tudo pelas alas. Dessa forma Montero (ou Tanaka) fica completamente fora do jogo, os extremos são facilmente mais anulados, etc (completar com que disse depois do jogo contra o Belém).

Há hipóteses de passar? Ténues. Com William em Alvalade as coisas podem ser diferentes. Luis Gustavo e Guilavogui também já vão estar disponíveis, mas tudo dependerá do que o Sporting quiser fazer. Se for para continuar a apostar na bola alta para área, arrumamos as botas e jogamos o que há para jogar no campeonato (dia 1 é um tudo ou nada para o segundo lugar) e focamos baterias na Taça. Se quisermos voltar a jogar futebol...talvez, talvez.

Já agora Marco, contra o Gil dá para testar alguém diferente no lugar de Adrien e recuar João Mário?

Uma última palavra para Rui Patrício. Como sempre respondeu a um erro como os grandes. A ele se deve ainda haver eliminatória para disputar.

15/02/15

Entregues


Foi assim que a equipa do Sporting entrou ontem em campo, entregue. Os jogadores sentiram o golo de Jardel e pareceram apáticos, sem reacção. Mas não só ao plano mental se deve o empate de ontem.

Lembro-me de escrever aqui após os jogos com o Porto que o Sporting tinha uma equipa. Não tinha as individualidades de outros mas tinha equipa, especialmente a nível ofensivo. A nível defensivo falhava muito por ter dois centrais que não sabiam interpretar a defesa zonal que o treinador pretendia, mas era uma equipa. Funcionava em bloco.

Ora hoje em dia o Sporting tem melhores centrais, melhorou ligeiramente o seu processo defensivo e piorou bastante o seu processo ofensivo, fazendo lembrar o estilo de jogo de Jardim na segunda volta da época passada. Montero não é Slimani, para o bem e para o mal. Se defendo que o Colombiano é mais talhado para o tipo de futebol que o Sporting deve jogar (e que estava a ser implementado a certa altura da época), para o futebol de equipa pequena apresentado ontem, Slimani faz falta. Faz mesmo muita falta. Nos últimos dois jogos o Sporting voltou a ser aquela equipa previsivel, que passa 90 minutos a tirar cruzamentos, que faz tudo pelos flancos. Com Slimani lá, esse tipo de jogo até poderá ter alguns frutos, com Montero e Tanaka será pouco provável.

Se há algo de bom a retirar da Taça da Liga deste ano é o aumento de soluções encontradas na equipa B. Viu-se que Tobias era melhor que Saar e Mauricio, Tanaka ganhou importantes minutos de jogo na sua adaptação ao nosso futebol e Gauld e Wallyson mostraram muita qualidade. É aqui que fico confuso. Capel já demonstrou que não dá mais nada à equipa, ao seu futebol. André Martins foi proscrito pelo treinador e só entra se alguém se lesionar. Porque não experimentar Gauld numa altura em que o meio campo parece não funcionar? Porque não retirar Adrien e jogar com João Mário na sua posição? Marco Silva já percebeu que isto ajuda a equipa, ou não teria retirado Adrien e recuado João Mário em 3 ou 4 dos últimos 8 jogos. No fundo porque não voltar a jogar o futebol que a equipa apresentou nos dois jogos contra o Porto, no jogo contra o Setúbal para o campeonato. Por esta altura a acumulação de amarelos de Adrien seria um upgrade ao futebol da equipa.

 Muito se tem dito que Nani está menos influente, é normal. Se a equipa não ataca pelo meio, é mais fácil acumular gente nos flancos e defender sempre em superioridade numérica nessa zona. A vantagem de ter dois grandes jogadores nos flancos dissipa-se e o Sporting joga muito pior por isso. 

O título está entregue para o nosso lado e apnas uma vitória no Dragão poderá reabrir a luta pelo segundo lugar.

Jogando desta forma o Sporting não terá grande probabilidade de derrotar a segunda melhor equipa que vai defrontar esta época. O Wolfsburgo é uma grande equipa, que apenas não lidera a Bundesliga porque existe um monstro chamado Bayern (curioso como o Bayern tem uma vantagem menor para o Wolfsburgo que aquela que o Benfica tem para o Sporting). O sporting terá de voltar a jogar à Sporting para ter alguma hipótese de passagem. Deixar de descarregar bolas para a área é um bom começo.


10/02/15

Oportunidade perdida pelos rapazes de verde e branco


"Ainda quer fazer tudo pelas alas. Jogar pelas alas, marcar pelas alas, até os almoços de equipa devem ser pelas alas. É óbvio que não podemos passar a afunilar o jogo, mas temos de ser capazes de jogar pelo exterior e pelo interior." 
Escrevi isto a 14 de Setembro após o empate em casa com o Belenenses. Quase uma volta depois continuamos a incorrer no mesmo erro.

O Sporting demonstrou, sem ser avassalador, que podia e deveria estar mais perto deste Benfica, particularmente deste Benfica. Este Benfica não é o Benfica do ano passado, é uma equipa esquartejada que vive e sobrevive graças à grande capacidade técnica e táctica do seu treinador. O Sporting não foi avassalador como pedi durante a tarde de Domingo, não entrou como nos jogos com o Porto. Culpa do Benfica, que sabe defender ao contrário da armada espanhola. 

É aqui que voltamos ao erro do costume. O Sporting afunila o seu jogo pelas alas, não explora o meio. Muita gente defende que nos jogos contra os "pequenos" deveríamos jogar com Slimani e Montero, porque são essas equipas que cedem mais facilmente. Eu acho que este derby seria o jogo ideal para o plano B. Não com Montero ao lado de Slimani, mas com Montero atrás de Slimani, na zona de acção de Samaris. Faltou Slimani ontem. "Então era meter o Tanaka?" Não, era utilizar o melhor estratega da equipa no meio, pelo menos durante a última meia hora. 

Regra geral, tenho visto os mesmos jogos que Marco Silva. Ontem não percebemos as coisas da mesma forma. Carrillo não estava inspirado, verdade, mas não teria sido o primeiro a sair. Adrien estava esgotado e o Sporting precisava de ganhar. O Benfica pouco ameaçava e era possível ter arriscado aquele bocadinho, era possível ter colocado Nani à frente de João Mário e do ENORME William. Montero teve um jogo ingrato. Tentou ligar o jogo mais atrás, mas não tem o dom da obiquidade. Não pode sair da área, centrar e ir concluir a jogada. Palavra para os nossos meninos que tanto iam tremer. Paulo Oliveira e Tobias mostraram que uma dupla não depende da idade no BI.

A equipa não merecia a infelicidade do minuto 94, algo que já não é novidade esta época. Foi assim em Coimbra, em Maribor e ontem contra o Benfica. A felicidade contra Arouca e em Braga faltou-nos ontem. É futebol, nem sempre é justo mas é futebol.

O Sporting depende apenas de si mesmo para atingir o segundo lugar. Esse patamar e a conquista da Taça de Portugal têm de ser atingidos para substanciar este crescimento. O Sporting do passado seria vergado duas vezes pelo Benfica de Jesus. Não só não o foi, como poderia ter vencido os dois jogos. O mesmo com o papão do Norte. Já dá para ser campeão? Muito provavelmente não, mas o caminho é certo e estamos bem mais próximos da glória do que há 2/3 anos atrás.


Quanto aos animais que todos os fim de semanas vão destruindo aos poucos a piada do futebol, o meu colega de tasco já disse tudo.
Acrescento uma palavra sobre a autoridade. A prepotência e o abuso de poder continuam presentes naqueles que mais deviam zelar pela calma e pela ordem. Desde ameaças de bastonadas a miúdos de 12/13 anos, a empurrões a pessoas que aguardam pela sua vez para entrar num recinto de "festa", a vergonha continua. Isto foi o que eu vi na minha porta de entrada. Segundo já li e ouvi, na Porta 1 foi o festival do costume. Uns entram sempre a horas, outros entram sempre atrasados para ver o jogo. Nesse aspecto o factor casa nunca conta, apenas o encarnado do cachecol.

Ps: O tratamento dado pelos jornaleiros a Artur é vergonhoso e em nada é diferente das queixas que muitas vezes temos pelo tratamento que a comunicação social dá ao Sporting. É apenas triste que o jornalismo português esteja assim, mesquinho e sem nível.

21/01/15

À mesa com a primeira volta : Sporting

Nota: A comparação foi feita com a 17ª jornada do ano passado, dada a diferença do número de equipas participantes na liga.

 
"O Sporting está a fazer um campeonato abaixo das expectativas. Jardim estava a fazer um trabalho muito melhor."
 
De forma geral, é o que temos ouvido sobre a prestação do actual Sporting na Liga.
 
Ora à 17ª jornada do ano passado o Sporting tinha 38 pontos (11 V 5E 1D), sendo que na 17ª jornada deste ano tem 36 pontos (10V 6E 1D). Diferença para pior, sendo contudo curta.
Mesmo a nível de golos a diferença é ténue. 35-12 em 2013/2014 e 34-14 em 2014/2015.
 
"O desempenho do Marco tem sido miserável em casa."
 
Outra crítica feita são os desempenhos caseiros do Sporting. Diz-se por aí que perdemos a fortaleza criada no ano anterior. Nada mais errado. Dos 5 empates de Jardim, 4 eram caseiros. Dos 6 empates de Marco Silva, 4 são caseiros.
 
Nada disto invalida que os empates com os 4 empates em casa (e o de Coimbra) sejam maus resultados. Simplesmente são resultados ao nível da época passada.
 
Saliente-se ainda que os dois treinadores apenas perderam uma vez em 17 jornadas, Jardim no Dragão e Marco Silva em Guimarães.
 
O que altera então a percepção da campanha do Sporting? A campanha dos seus rivais.
 
O Porto melhorou  (+4) e o Benfica também (+6). Os primeiros fizeram-no graças ao all-in feito a esta época, que lhes permite ter uma equipa com qualidade individual acima de qualquer outra na Liga.
Os segundos baseiam-se no trabalho do seu grande treinador e num 11 titular de qualidade. Sim, o Benfica poderia ter menos alguns pontos por algumas decisões erradas de arbitragem, mas não creio que  possa estar em discussão a sua liderança.
 
Outras competições
 
É aqui que tudo é diferente.
 
Nesta altura Jardim já havia sido eliminado da Taça de Portugal, na Luz, enquanto Marco Silva continua em prova tendo eliminado o Porto no Dragão.
Jardim não tinha competições europeias. Marco Silva esteve na maior de todas elas e por pouco (e algumas influências) não passou aos oitavos de final. Segue carreira na Liga Europa.
 
Marco Silva tem Nani, Paulo Oliveira, um terceiro avançado e suplentes para Jefferson e William.
Jardim tinha Rojo, Dier e Maurício.
 
Apesar de o plantel ter mais soluções que o da época passada, acrescem-se mais 9 jogos noutras competições (Champions e Taça) à equação e ainda a integração dos métodos de um novo treinador, o qual não dispõe de semanas inteiras para treinar na maioria das vezes.
 
São campanhas semelhantes. Com Jardim talvez se defendesse um pouco melhor, mas não se atacava tão bem. Eu prefiro o estilo de jogo de Marco Silva, é de equipa grande.
 
Marco Silva fez sempre melhores segundas voltas que primeiras. Que o repita.

19/01/15

Sporting à Jesus

 
 
Parece uma parvoíce este título, mas foi assim que vi o jogo de ontem. Pensei que estava a ver o Benfica que cedeu o bi-campeonato a Vitor Pereira, uma equipa muito forte a atacar, com executantes de qualidade mas que não soube controlar o jogo. Além disso não tem a capacidade colectiva defensiva das equipas do homem da Reboleira.
 
Tudo isto resultou num jogo engraçado...para os neutros. Posso discordar de algumas coisas e não gostar de outras, mas se há algo que aprecio em Marco Silva é que vê mais ou menos os mesmos jogos que eu. Não fizemos uma boa partida e não gostei da incerteza no marcador. A primeira parte foi amorfa (mais uma...) e a equipa foi justamente empatada para o intervalo. Justamente porque uma equipa grande não pode sofrer golo a partir de um canto ofensivo. André Martins não pode não fazer uma falta que pare o contra-ataque e Cédric não pode falhar aquele corte.
 
Os primeiros 20 minutos da segunda parte já tiveram o Sporting que queremos. Mané agitou mais do que Carrillo tinha feito e fizemos o que deveríamos fazer a todas estas equipas. Pressão, pressão e mais pressão. Basta acelerar um bocado e ficam todos encostados às cordas. É essa a nossa maior pecha, a incapacidade de fazer isto com regularidade aos Paços, Rio Aves, Belenenses e Moreirenses desta vida.
 
Dois golos e nova tremideira lá atrás. Tobias não foi um upgrade tão grande a Mauricio e Saar (tem mais qualidade mas era a sua estreia nestas andanças) e apanhou aquele que para mim seria o melhor substituto possível para Slimani, Hassan. Tem a vantagem de ser mais novo e já saber mais sobre o jogo do que o argelino quando chegou ao nosso país.
 
O Rio Ave podia ter marcado mas Tanaka acabou por resolver a questão, com 3/4 do golo pertencentes a William. O rapazinho de Mira-Sintra está realmente de volta e ontem fez talvez a sua melhor exibição da época. WELCOME BACK SIR!

Para o fim o do costume. Má arbitragem de Nuno Almeida. Faltas mal assinaladas para os dois lados, expulsões poupadas no lance do penalti e ainda não revi o lance do 2-1. No estádio pareceu-me que o defesa tropeçou, mas preciso de rever. Já as peitadas no árbitro foram visíveis até na China, assim como o penalti sobre Montero. Fosse aquela falta no meio-campo e ninguém protestaria. Foi na área, é penalti.

06/01/15

E no meio da poeira o que resta?


Continuo a achar que faltam dados, que toda esta história está mal contada. Não se percebe como e porque é que tudo isto aconteceu, mas aconteceu. Mais do que achar que perdeu um e ganhou outro, acho que perdeu o Sporting.





Marco Silva
As suas declarações foram, de forma geral, calmas e ponderadas. Podia não ter dado a bicada do "cara-a-cara", mas é algo compreensível tendo em conta o teor do comunicado de BdC alguns dias antes. Resta saber se as críticas implícitas no comunicado teriam sido feitas pessoalmente, antes da sua exposição pública.

No fim de tudo isto não gostei que tivesse dito que não sabia o que o Presidente tinha dito no comunicado "de paz". Se há ou tem de haver sintonia, tem de se saber o que o outro diz. Não acredito que Marco Silva viva numa bolha onde não chegue toda a informação relevante da sua entidade patronal. Deu ar de paz forçada, a tal "paz podre".



O papel de José Eduardo
Fico com dúvidas sobre o seu verdadeiro papel no meio de toda esta história. Sempre foi um dos principais apoiantes da actual direcção na praça pública e um dos raros comentadores televisivos afectos ao Sporting capaz de revelar muito podre existente no nosso futebol.

Existem duas hipóteses. Ou estava mandatado pela direcção para tentar descredibilizar o treinador, rasgando-o de alto a baixo, ou fez o que fez para retirar todo o ónus da questão dos dois envolvidos, dando o peito às balas. Honestamente não sei o que pensar. Por um lado sempre vi José Eduardo como alguém inteligente. Pelo menos inteligente o suficiente para ter noção das consequências das suas palavras e actos e da chacina pública que sofreria por elas. Por outro lado parece revelar um conhecimento profundo de tudo o que se passa no interior do clube, quer durante todo este processo, quer durante o mandado da actual direcção. Alguns dos seus argumentos eram facilmente descontruídos, mas havia demasiada informação "relevante" nas suas palavras.

Qual das hipóteses é a certa? Confesso, não sei. Há claramente algo que me escapa e que continua por contar.

Não gostei ainda de ficar no ar a ideia de que José Eduardo seria um melhor mediador e a pessoa mais adequada para explicar o "projecto Sporting" a Marco Silva. Onde fica Augusto Inácio do meio de tudo isto?



Bruno de Carvalho
Mais do que nunca notou-se o incómodo que este Presidente causa em certos quadrantes do nosso futebol. Como já disse, desconheço todos os contornos deste caso e admito que possa ter cometido vários erros ao longo de toda esta história, mas isso não pode impedir qualquer Sportinguista (mais próximo ou mais distante das posições do seu Presidente) de notar a campanha que contra ele se move. Há muita coisa que estava melhor com as anteriores direcções. Melhor, para os nossos rivais. Era mais fácil gerir as coisas a dois (dando um ar público de afastamento). Como foram desmascarados pela actual direcção, as afrontas já são públicas e sucedem-se. Na comunicação social cria-se a ideia de que este Presidente se quer eternizar no cargo com esta novela. Curiosa acusação (justa ou não) vinda de adeptos de clubes onde a democracia há muito foi espezinhada, sendo estatutos adulterados em certos casos ou putativos candidatos arrumados com base na velha amiga porrada.

Posto isto, acho que Bruno de Carvalho não sai bem deste filme.
Se José Eduardo é tão próximo do Presidente como diz, então como é que o segundo não o cala imediatamente após a primeira intervenção na Portela?

Do que se vai conhecendo de Bruno de Carvalho, não parece ser o tipo de pessoa que perdoe ou desculpe faltas de confiança. Caso Marco Silva tivesse feito sequer metade do que José Eduardo disse, duvido que ficasse em Alvalade mais uma tarde sequer. Não seria sequer o dinheiro a travar Bruno de Carvalho, que mais depressa ia vender bifanas para pagar a indemnização do que permitiria ter um "Cavalo de Tróia" dentro de portas por uma questão de dinheiro, por maior que o montante fosse. Se tudo aquilo que José Eduardo disse é verdade, um simples comunicado a clarificar toda a situação e a razão do despedimento do treinador, permitiria uma saída limpa desta situação.

É também isto que não percebo. Bruno de Carvalho não é burro, já o demonstrou. Contudo a gestão de toda esta história foi feita de forma quase amadora. Não se pode calar a comunicação social, é verdade. Mas é possível acabar com as dúvidas, impedir que certas teorias sejam alimentadas e extrapoladas. Não consegue ver que isto seria um ângulo de ataque para aqueles que ainda hoje não suportam a sua subida ao poder? Não consegue ver que isto apenas afastaria e dividiria os associados, formando-se duas facções opostas? Duvido que alguém inteligente como Bruno de Carvalho não consiga ver isto. Duvido também que seja o tipo de pessoa que recue porque os sócios fizeram barulho do facebook. Se fosse a única pessoa no mundo a achar que Marco Silva deveria ser despedido, não teria ido contra o mundo se fosse essa a sua convicção?



A equipa
No fim sobram os jogadores, porventura os menos culpados. No meio de tudo isto conseguiram 4 vitórias e uniram-se



Parece-me que ninguém esteve bem e pode sacudir culpas para outros. Inácio teve uma expressão feliz ao falar da muita poeira que andava pelo ar. Com tanta dúvida, tanta contradição, há ainda muita espalhada no ar, mesmo que a maior parte tenha assentado para já.

04/01/15

Haja paz e vitórias


Tudo está bem, quando acaba bem. Pelo menos para já.
Entrei em Alvalade sem saber do comunicado do Presidente. Continuo sem perceber a origem de toda esta história e a sua evolução. Contento-me para já com o seu aparente final. No meio disto tudo a equipa ganhou 4 jogos seguidos. Que esta união seja para continuar, assim como as vitórias.

Quanto ao jogo, não creio ter sido muito diferente dos realizados contra Belenenses e Paços de Ferreira e que nos valeram dois empates. Em todos eles o Sporting foi a melhor equipa em campo, com a diferença na concretização. Hoje marcou 3 em 5 ou 6 oportunidades claras, noutros jogos não foi capaz de fazer o mesmo.

A presença de Nani é demasiado importante para esta equipa. Estabiliza-a, dá-lhe calma e maior acerto nas decisões. Depois há algo que noutras épocas nos faltou. Carrillo estabilizou e está a mostrar ser o jogador que sempre prometeu. Está mais possante, melhor tacticamente e praticamente sempre ligado ao jogo. A sua renovação é para ontem.


Segue-se a Taça, num jogo que não podemos menosprezar, e uma difícil visita a Braga. Já não há Slimani, pode ser que apareça um central.

21/12/14

Pecou por escasso


Vitória justa mas curta. O Sporting fez uma exibição sólida e poderia ter resolvido o jogo bem mais cedo.

Várias oportunidades falhadas, mas muito poucas permitidas num jogo que acabou sofrido por uma estupidez de Adrien. Adrien já poderia ter sido expulso na primeira parte, mas só o conseguiu na segunda depois de uma infantilidade. Ao contrário de Coimbra, não tivemos azar e os três pontos vieram para Alvalade. Nota para o jogo esforçado e bem conseguido de Slimani e para uns lampejos do verdadeiro William.


Marco Silva e Bruno de Carvalho
Apenas hoje vi na totalidade a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho. A ideia com que fiquei é que algo se passou que não se sabe cá fora. Só assim se explica a maioria do que disse o Presidente. Mais do que não gostar do timming e da replicação de comunicados disparando em várias direcções em mesmo tempo (não pensem que sou contra a comunicação, mas acho que deve ser certeira e oportuna), não gostei do tipo de discurso. De certa forma fez-me lembrar os discursos de Vieira à frente do Benfica. Talvez pelas palavras e frases utilizadas, mas não gostei.

Marco Silva respondeu. Seria preferível que não o tivesse feito e as coisas fossem faladas dentro. O problema é que o exemplo que vem de cima não tem ido nesse sentido. 

Há tanta coisa bem feita e a correr bem (a reestruturação financeira por exemplo), há tanta por melhorar (equipa B por exemplo) e andamos a perder tempo com parvoíces e recados. Mais do que reforços para aqui e reforços para ali o que o Natal nos deve trazer no sapatinho é muita calma e juízo.

12/12/14

A chatice de ser Marco Silva

Não me interpretem mal, adorava estar no lugar do Marco.

Mas acho que não deve haver posição mais ingrata para um treinador em Portugal que ser o líder do actual Sporting. Se por um lado a equipa é boa e tem qualidade, não tem ainda as armas dos outros rivais, embora a maioria dos Sportinguistas ache que sim. Não tem laterais de 15 milhões de euros, médios de 10 milhões ou pontas de lança de 8. A médio prazo a diferença nota-se.

Tem uma equipa boa sim, tem jogadores bons, mas também tem jogadores razoáveis, em maior número que os rivais. Penso naquela que seria a equipa ideal deste campeonato e apenas 2 jogadores do Sporting entrariam nessa equipa, Nani e Rui Patrício.

Marco Silva fica ainda preso por duas questões. Vai quase de certeza fazer menos pontos que Leonardo Jardim, porque não é tão calculista, porque arrisca mais e porque a época passada do Sporting foi irrepetível na relação pontos/qualidade da equipa.
Tem também contra si um número de jogos bastante superior, mais 14 no mínimo, o que também facilitou a elevada pontuação da época passada.

Ora já se diz que Marco Silva não tem calo, que é inexperiente. Não digo que não, estranho seria que um treinador com 3 anos de função já conhecesse todos os truques do ofício. Mas só se aprende jogando e treinando, contra os melhores de preferência. Marco Silva tem (e muita) qualidade. Já o demonstrou no Estoril e tem feito o mesmo no Sporting, mesmo que os resultados no campeonato não tenham sido os melhores até ao momento. Tem um ás que Jardim não teve, mas também tem um conjunto de centrais de menor valia e um William em sub-rendimento, exceptuando algumas raras boas exibições.

É no entanto indiscutível que o futebol ofensivo do Sporting melhorou, cresceu. Já o seu processo defensivo regrediu um pouco. Pela qualidade dos intervenientes? Talvez, mas também porque a equipa domina mais os jogos, tem mais bola e não espera tanto pelos erros do adversário. É a velha questão da manta que não estica.

Fala-se bastante da necessidade de reforçar o centro da defesa. É notória a falta de qualidade de uns e de experiência de outros. Dos nomes mais falados (Bruno Alves e Ricardo Costa) preferia o segundo. Bruno Alves sempre foi um jogador demasiado físico, demasiado agressivo. Duvido que o tratamento que os árbitros lhe davam a Norte, fosse replicado em Alvalade. Mas também por uma questão de qualidade. Ricardo Costa não era bom quando saiu do Porto, mas cresceu muito em Espanha. Tornou-se um bom central, um líder. Encaixa bem no que o Sporting precisa, até pelo calo que já traz. Caso não sirva, há um bom central escondido na nossa liga. Yohan Tavares. Não é um novato (26 anos) e acrescentaria qualidade. Tem o handicap de já não poder jogar na Liga Europa.

Eu acrescento outro ponto, dar banco a William e lançar Rosell. Sou fã do rapaz de Mira Sintra, mas não está a corresponder e tem de ser dada uma oportunidade ao catalão.

É esse o teste de Marco Silva. Ser capaz de manter o bom que deu à equipa a nível ofensivo e dotá-la de melhores conceitos defensivos, seja através dos jogadores ou do processo. Terá também de ser capaz de convencer alguns adeptos estupidamente exigentes que vão estar sempre a olhar para a pontuação de Leonardo Jardim como a bitola normal, ignorando as condições excepcionais em que foi obtida.

06/12/14

A serpentear no Bessa


Jogo de sentido único (mais um). 

Marco Silva é um treinador inteligente e já percebeu que a liga deste ano está recheada de várias equipas muito fracas. Ora essas equipas, não possuindo jogadores para discutir os jogos vão, de uma forma geral, defender o mais que puderem com pequeninos autocarros segurando as melhores equipas enquanto conseguirem. Esta será uma liga de muitas goleadas e de alguns 1-0 em períodos de descontos, muito devido a esta grande discrepância entre os melhores e os piores. Como é que se combate isto? Com inteligência, com um 10. O nosso é Montero. Ver Montero nos últimos dois jogos tem sido uma delícia. Marcando apenas 1 dos 6 golos da equipa, foi ele que a elevou a nível ofensivo dando-lhe mais soluções e mais qualidade. Não é menosprezar João Mário, mas Montero está num n´ivel acima e tem permitido abrir estas defesas mais fechadas de forma mais fácil. Lembram-se dos anos em que dizíamos "contra equipas fechadas andamos sempre lixados" ? Pois, agora é mais fácil. Mas mesmo com Montero tão bem, foi outro o homem da noite.

O azar de Nani foi a sorte de Carrillo. É indiscutível a influência de Marco Silva (e Nani diria eu) no jogo do Peruano. Muito menos displicente, menos ausente dos jogos, a decidir quase sempre bem e o resto é o talento que todos já conhecíamos. Que exibição de La Culebra! Fraca oposição é certo, mas que jogatana do rapaz que abriu definitivamente o jogo com uma arrancada de 50 metros. Depois ainda deu 3 golos a marcar, sendo 2 concretizados. 4 golos e 5 assistências no total. Não está nada mau.

Venha de lá o (já não invicto) líder da Premier League.