04/08/15

Benfica: contar espingardas e ir para a guerra


Tinha dito há umas semanas que esta pré-época podia ser boa do ponto de vista financeiro, mas que do ponto de vista desportivo (às vezes lá me lembro que isto é desporto e não negócio) podia não ser positiva. As viagens, a falta de "sossego" para trabalhar, a juntar a um treinador novo, podia correr mal ou menos bem. Se o Benfica tivesse ganho todos os jogos, teria sido um sucesso, teria sido a digressão do século como um certo jornal colocou na sua capa. Assim, foi uma desgraça e está a prejudicar claramente a época que aí vem. Porém, ninguém se lembrou disso antes da partida para as Américas.

Ora esta semana, depois da queda (com estrondo) na Eusébio Cup, começa-se a falar disso. Rui Vitória começa a dar a entender que não gostou muito da ideia, mas pronto, apanhou o comboio já em andamento. Eu não costumo ligar a declarações de treinadores e de jogadores, pois onde eles têm de falar é em campo, mas Rui Vitória foi mandando dicas durante estas semanas que as coisas não estavam fáceis, que não era só preparar a equipa, havia uma data de coisas a acontecer ao mesmo tempo e estar nos States e arredores não ajudava. É verdade Rui, mas lendo as gordas dos jornais, disseste algumas coisas de treinador... pequeno...

No início da digressão, diversos notáveis vinham dizer que o Benfica era favorito na mesma a ganhar tudo, que mantinha a estrutura, que o 11 base estava lá, etc. Agora, já têm medo de tudo. 
Tentaram vender a ideia de que era a estrutura que ganhava títulos, dando quase a entender (!) que treinador e jogadores não serviam para nada.

Jesus disse na SIC Notícias (salvo erro) e com razão (não é por se ter mudado para o outro lado que deixou de ter razão) que isso é uma treta. Que quem alimenta a estrutura são os títulos, e os títulos são conquistados em 99% pela equipa técnica e pelos jogadores. Efectivamente, são eles que colocam o trabalho em campo. Não me venham dizer que são aqueles bonequinhos giros (e bastante úteis, acredito!) que o Benfica recolhe através dos seus analistas, que metem a equipa a jogar à bola...

A menos de uma semana da Supertaça duvida-se de tudo. Duvida-se de Rui Vitória (já se duvidava antes) e já se volta a duvidar da qualidade do plantel (que desde 2013/2014 tem vindo a descer).

Claro, a esta hora alguns leitores estarão a dizer "o ano passado também tivemos a pré-época que tivemos, e depois foi o que foi" - OK, mas reparem, ninguém está a fazer um funeral ao Benfica. A época ainda não começou. Há sinais, sim, preocupantes. Normal não? Talvez quando se perdeu tudo numa semana também estava tudo mal, é isso?

Rui Vitória disse que não valia a pena mudar tudo (táctica, o que quiserem chamar-lhe) porque havia coisas a serem bem feitas. Sim Rui, havia. Mas também não eras tu o maestro da orquestra. 
Eu gostei dessa ideia, mas agora não sei se será a melhor. Se calhar não vale a pena tentar continuar a tocar o mesmo. Rui, há mais que uma maneira de ganhar. Se te sentes mais confortável com a tua maneira, que assim seja. Não vivas agarrado ao passado. Com rolo compressor ou autocarro, nós só queremos o Benfica campeão.

Vamos ver o que acontece até ao final do mercado, mas são estes com que vamos para a Supertaça. Uns mais coxos, outros mais perdidos em campo, outro acabadinhos de aterrar na Luz, mas é o que temos. E sempre foi assim, quando saiu o Matic, o Enzo, o DiMaria e outros tantos. Está na hora da Revolta dos Manéis.


1 comentário:

  1. Com o Rui nem autocarro nem rolo compressor,o que temos e tedio.

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